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Onda alemã

A Deutsche Welle (DW) é uma empresa de comunicação da Alemanha. Em português, seu nome quer dizer Onda alemã. Criada em 1953 como uma emissora de rádio, a DW levou informação para todos os alemães mesmo durante a guerra fria. Não seria exagero compará-la a emissora à BBC. Os programas são distribuídos em 30 idiomas até hoje.

O governo alemão resolveu investir na transformação do veículo em multimídia, com um substancial investimento em internet. O espaço da DW na net (www.dw-world.de) oferece informação sobre a Alemanha, Segunda Guerra e Guerra Fria em 30 idiomas. O brasileiro Kurt Müller, filho de suiços, que viveu por duas décadas na Europa, lembra que o veículo era um importante difusor de informação na época do muro de Berlim. “Tivemos muitas notícias através da DW, algumas felizes e outras tristes”.

Informação é tudo

Informação sempre foi fundamental. E as grandes potencias tinham a exata noção da importância de saber o máximo possível, sem que o outro soubesse, de preferência. As ações de espionagem foram a parte da guerra fria mais exploradas em todo o mundo. A Alemanha Ocidental fazia questão de fazer as benesses da vida capitalista chegar ao outro lado do muro por rádio e tevê. A Alemanha Oriental tentava o impossível para evitar ser vista.

O relato do fotógrafo Rogério Ferrari ajuda-nos a ter a dimensão do que acontecia em relação a isso. Ele lembra que as manifestações em Berlim Oriental eram acompanhadas de perto pela Stazi, a polícia política do regime socialista. “Em uma ocasião, quando estava começando a fotografar, fui abordado por eles, pensando que eu fosse da mídia ocidental”. Como o fotógrafo apresentou a carteira do Partido Comunista, prosseguiu sem maiores problemas.

Regimes de exceção acabam sendo caracterizados e muitas vezes lembrados por seus serviços de (controle) de informação. O o golpe militar e o seu Sistema Nacional de Informação (SNI), onde se estima a existência de mais de 3 mil dossiês, são inseparáveis na lembrança dos brasileiros. A KGB acabou extinta com a antiga União Soviética, mas a norte-americana CIA continua em plena atividade.

Na pesquisa por dados sobre a economia mundial, o endereço com os melhores conteúdos, mais bem atualizados, foi justamente o da agência norte-americana. Estão disponíveis dados econômicos, sobre a capacidade militar e a infraestrutura de comunicação e transportes dos 255 países do mundo. E com atualização quase diária.

A guerra fria acabou, mas os EUA e a CIA mostram que informação continua a ser tudo.

Retratos de uma Berlim do passado

As fotos são do aquivo de A TARDE e trazem cenas de uma Berlim que ficou para trás:

1. Homem comprimenta militar da Alemanha Oriental.

271009 FOTO01

 

2. Operários trablham na construção do Muro de Berlim em 1961.

271009 FOTO02

 

3. Recém-casados visitam o Muro de Berlim.

271009 FOTO03

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O discurso de Reagan

No dia 12 de junho de 1987, o então presidente americano Ronald Reagan fez um emblemático discurso em Berlim. Em plena guerra fria, fez um desafio ao líder soviético: “Mr. Gorbachev, abra estes portões. Mr. Gorbachev, derrube este muro”.

Em entrevista ao A TARDE, o jornalista e escritor norte-americano Michael Meyer analisou o discurso no contexto da época:

“Este provavelmente foi um dos discursos mais famosos dos últimos 30 anos: “Mr. Gorbachev, ponha abaixo este muro”! Para muitos americanos, especialmente, isso foi equivalente a uma derrubada real, foi como se o velho Ron Reagan tivesse dito esta frase e o muro caído. Mas, muita gente se esquece que se passaram dois anos entre a frase ser dita e o muro cair efetivamente. E é claro que discursos apenas não derrubam muros. Isso é ridículo.

Mas, os americanos particularmente se julgam invariavelmente corretos e tomam este discurso como um atalho, um símbolo, para descrever toda uma visão mundial de política exterior, que pode ser resumida assim: “permaneça alto e firme como Ronald Reagan enfrentando os ditadores, num estilo a la Hollywood, e as coisas vão mudar, a democracia vai florescer, tudo o que você tem a fazer é confrontá-los firmemente”.

Penso que, duas décadas depois de Ronald Reagan ter feito este discurso, nós vimos a queda do muro, nós vimos a reunificação da Alemanha, e aí os americanos começaram a pensar: “nós vencemos a Guerra Fria”! Daí ouvirmos hoje histórias acerca do Império Americano, de um Mundo Unipolar, de uma única superpotência.

Há uma linha tênue entre esta visão distorcida do mundo e a aventura desastrada dos americanos no Iraque. Só que a situação atual, comparada com a abertura revolucionária que ocorreu no leste europeu, é muito, muito mais complicada. Não se pode colocar as coisas no campo da mitologia. E tudo isso é uma ilustração dos perigos do mito. Se você fica repetindo um mito para si mesmo, ao invés de se basear na política externa ou na realidade, a História vai se repetir e trazer-lhe problemas.”

Aqui, é possível ouvir os principais trechos deste discurso. E aqui, o texto do discurso pode ser conferido na íntegra em inglês.

A hipocrisia no Portão de Brandemburgo

O leitor Claudio Carvalho nos manda um artigo em que faz uma reflexão sobre a queda do Muro de Belim e as suas contradições. Confira:

 
A HIPOCRISIA NO PORTÃO DE BRANDEMBURGO

O Muro de Berlim foi construído no ano de 1961, dentro do
contexto da Guerra Fria, pela República Democrática Alemã e
representou o isolamento dos países do leste europeu por trás da
“cortina de ferro”. O “muro” tornou-se a metáfora da falta de
liberdade e da segregação. Na verdade, a segregação já estava inscrita
no mundo ocidental antes e não podemos esquecer que foi contra ela o
combate dos “aliados” na Segunda Guerra enfrentando Hitler e a
terrível experiência dos campos de concentração.

Sessenta anos depois do holocausto e a vinte anos da queda do
muro continuamos a nos defrontar com fatos da mesma natureza. O que
parece mais assustador é que a oposição e os gritos discordantes
tenham sido abafados pelo silêncio do consenso. O esvaziamento da vida
política, tantas vezes apresentado como o corolário do “fim das
utopias” com a derrocada do socialismo no leste europeu, parece ter
cedido lugar a um vazio sem esperanças.

A queda de uma utopia, ao contrário do que se pensa, pode ser a
oportunidade do despontar de um ideal inspirador que leve em conta o
vazio sempre presente para o humano (e toda a humanidade) em seu
devir. Se lamentamos nostalgicamente o fim da utopia socialista, é por
termos perdido, não uma experiência socialista, mas uma promessa que
se anunciava como totalitária. E o totalitarismo é justamente a gestão
“total” de nossas vidas, sempre baseado em uma razão instrumental à
revelia da liberdade de escolha do sujeito.

A lógica de todo regime totalitário é o funcionamento do “campo
de concentração”, onde a vida privada é totalmente liquidada e a
singularidade de cada um se perde no amontoado da massa. Essa forma de
organização do laço social não parece excepcional. Acredito que
podemos encontrá-la em nossa resignação e adesão ao “politicamente
correto”, em nosso silêncio frente à construção de muros nas favelas,
diante da expulsão da universitária que trajava uma “roupa inadequada”
ou da “higienização” das cidades ao recolherem seus mendigos das ruas,
para não fazerem sombra na paisagem contemplada.

Ao assistirmos a celebração na Alemanha com a participação dos
representantes dos EUA, da França, da Inglaterra e da Rússia como
convidados especiais, fica difícil esquecer o muro construído pelos
americanos na fronteira com o México para barrar a imigração, questão
“quente” também para os franceses e os ingleses – sem deixar de
mencionar as ações da Rússia no Cáucaso.

Seria interessante nos perguntar se, ao celebrarmos o triunfo da
liberdade como fetiche, não estamos a encenar o espetáculo da razão
cínica ocidental feito da mesma matéria que deu origem aos regimes
totalitários na história. Ou podemos nos conformar e nos sentir
representados no ato solene diante do portão de Brandemburgo como
parte integrante da hipocrisia ocidental.

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Alemanha: ontem e hoje

As fotos abaixo mostram cenários da Berlim de hoje com berlim dividida. Vale a pena conferir os contrastes:

 

Aqui, o Portão de Brandemburgo em 1990, na comemoração da reunificação oficial da Alemanha. E em 2009, sendo visitado por turistas.

GERMANY-BERLIN-WALL-HISTORY-20YEARS 

 

Na foto abaixo, o prédio do German Reichstag, sede antigo parlamento do império germânico. Em 1989, com muro. E em 2009, sem muro.

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A Bernauer Strasse, no distrito de Mitte (Berlim) em 1968 e 2009.

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A moto de Klaus

O alemão Klaus Joseph, que viveu na antiga Alemanha ocidental, gostava de levar a namorada francesa para passear pelo lado oriental. Em casos como o dele não havia problema, o que não podia era um oriental tentar passar para o lado ocidental. A ordem para atirar (Schießbefehl, em alemão) só valia para os orientais.

Mas segundo Klaus, a passagem para o lado oriental era sempre tensa. “A gente tinha que detalhar bem para onde queria ir e seguir o roteiro à risca”, recorda-se.

Acontece que numa dessas idas, a francesa precisou ir ao banheiro e o aperto foi tal que ele preferiu arriscar parar em um pequeno lugarejo. Param, ela vai ao banheiro e em pouco tempo ele é cercado por moradores do lado oriental. “Me olhavam com espanto, como se vissem algo de outro mundo”, recorda-se.

E viram mesmo. Klaus se deu conta de que estava pilotando uma linda moto de viagem com quatro descargas e um motor poderoso. Coisa de outro mundo na Berlim socialista da década de 80.

Era uma vez na Alemanha

 A história do Muro (e o que sobrou dele) contada pela BBC Brasil:

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Contrabando

Os ocidentais podiam entrar em Berlim oriental, mas mesmo com autorização era difícil passar pelas barreiras. A baiana Iolanda é casada com o alemão Arno Dreschers há trinta anos e teve a oportunidade de ir algumas vezes para as duas Alemanhas. Na entrada, o veículo era vistoriado no portão de acesso.

“A preocupação maior deles era com o retorno, pois achavam que podíamos estar levando algum oriental para fora”, recorda-se. Num desses retornos, Iolanda lembra de ter sido abordada por uma patrulha que se preocupava em verificar até debaixo do soalho do carro.

Se no retorno havia o risco de os visitantes estarem levando orientais, na ida muita gente aproveitava para transportar produtos raros para vender no ocidente. “Havia um grande contrabando de bananas”, lembra Arno.

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Os protagonistas

Ontem em Berlim, as celebrações da queda do muro promoveram um encontro histórico em frente ao Portão de Brandemburgo.

ALEMANIA MURO BERLÍN-ANIVERSARIO

Na foto, os atuais líderes das principais nações envolvidas na divisão alemã. Da esquerda para direita: o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, o presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente russo Dmitri Medvedev, o presidente alemão Horst Koehler, o prefeito de Berlim Klaus Wowereit e a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton.

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